" A PAZ
ESTEJA CONVOSCO"
PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA
https://www.youtube.com/watch?v=GPLbtI12HcY
A PAZ ESTEJA CONVOSCO- II DOMINGO DA PÁSCOA
https://www.youtube.com/watch?v=GPLbtI12HcY
A PAZ ESTEJA CONVOSCO- II DOMINGO DA PÁSCOA
Um olhar, ainda que rápido, para as belas
leituras da Liturgia da Palavra deste II domingo da Páscoa - o antigo domingo
"in albis", em que os recém-batizados da Vigília Pascal depunham as
vestes alvas que tinham usado durante a semana - pode mostrar-nos facilmente
três ricos elementos: a fé, o perdão dos pecados, a perfeita vida cristã da
comunidade nascente de Jerusalém. Afinal, tudo irradia do grande mistério
pascal, da glória de Cristo Ressuscitado.
Em primeiro lugar, a fé que brotou alegre
no coração dos discípulos, ao verem o Senhor ressuscitado e ao contemplarem no
seu corpo glorioso os sinais dos cravos que lhe tinham atravessado as mãos e os
pés, e o sinal da lança que lhe tinha traspassado o lado. Aliás, esses sinais
são agora eternos, a lembrar que foi pela morte que Ele alcançou a glória. No
Apocalipse, São João vai contemplá-lo na glória da eternidade. Ele é "o
Cordeiro imolado". Está de pé, mas traz os sinais da imolação (cfr Ap 5,
6). Mas, por isso mesmo, "é digno de receber o poder, a riqueza, a
sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor" (ibid., 12).
A fé pascal é o núcleo mais íntimo de nossa
fé cristã. Ela iluminou a vida dos apóstolos e dos primeiros discípulos, e
ilumina toda a vida da Igreja. Costumam os comentaristas notar que a própria
incredulidade inicial de Tomé acabou provocando uma confirmação da verdade da
Ressurreição. E foi, em todo o caso, uma prova de que os apóstolos não eram
homens crédulos, que aceitassem puras aparências. Todos eles tinham tido seu
momento de dúvida, quando chegaram as primeiras notícias do sepulcro vazio e da
aparição a Madalena. Mas o esplendor do Ressuscitado os convenceu.
O perdão dos pecados é a segunda nota que
brilha na página do Evangelho, no episódio da primeira aparição. Jesus, depois
de saudá-Ios com a saudação habitual" A paz esteja convosco", - mas evidentemente
com um desejo de paz muito mais eficaz do que uma simples saudação de cortesia
- declarou: " Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. Soprou em
seguida sobre eles - um prelúdio de Pentecostes! -e disse: Recebei o Espírito
Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados. A quem os
retiverdes, serão retidos" (Jo 20, 21 -23). É o grande presente pascal do
perdão. Dele precisa tanto a Igreja, que é feita de homens sujeitos ao pecado,
e que precisam ser perdoados, não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete
vezes. Por isso Jesus deixa na Igreja o sacramento do perdão. É o dom da
redenção, que se vai distribuindo ao longo dos séculos, na medida da nossa
necessidade. O próprio contexto pascal em que Jesus nos outorga esse sacramento está a nos
dizer que ele é um sacramento portador de paz, de festa e de alegria. Não é de
tristeza e de humilhação. Triste e humilhante é o pecado. O perdão, que traz a
paz de Deus, só pode ser causa de alegria. De festa. Como aquela que alegrou a
casa do filho pródigo, no dia em que ele voltou para junto do Pai.
E temos que olhar para o terceiro quadro. É
uma pintura em rápidas pinceladas do estilo de vida, exemplarmente evangélica,
em que vivia a primeira comunidade cristã de Jerusalém. Unidos. Na oração e na
escuta atenta do testemunho dos apóstolos a respeito da Ressurreição de Jesus.
Desapegados de seus bens, de sorte que o que era de um era de todos. Formando
uma comunidade tão harmoniosa, que toda aquela multidão era como um só coração
e uma só alma. Como conseqüência - como consta de outra passagem dos Atos (2,
47) - eram estimados por todos, e o número dos fiéis ia crescendo dia a dia
(cfr At 4, 32-35).
Não estavam pondo em prática nenhum plano
sofisticado de economia política. Estavam simplesmente vivendo o Evangelho.
Vivendo o "Sermão da Montanha". Seguindo os passos de Cristo. Como os
seguiu São Francisco. E muita gente com ele. Aí está o segredo da felicidade.
Da paz, da harmonia, do bem-estar. Até da coragem, da paciência e da esperança,
para suportar os sofrimentos, companheiros inseparáveis de nossa peregrinação.
A famosa "Ilha da Utopia", imaginada por Tomás More, pode no
cristianismo tornar-se de algum modo realidade. Não caricatural, mas sincera.
LEITURAS do II Domingo de Páscoa -Ano C:
1ª - At 4,32-35.
2ª - 1Jo 5,1-6.
3ª - Jo 20,19-31.
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